Antes de mais nada, facilitar o acesso da maioria
Junho 1, 2008 by fe19Estado de São Paulo - Kil Abreu
A polêmica em torno da forma ideal de fomento ao teatro brasileiro é o instante em que os desiguais assumem, finalmente e por força das circunstâncias, a desigualdade. Ao que parece o debate chegou a este ponto por absoluta necessidade e pede posições que podem ser exemplares não só para o ambiente teatral, mas para a discussão das políticas culturais como um todo.
Ainda que se corra o risco das simplificações, pode-se dizer que o processo que levou ao momento atual comporta, de um lado, os agentes de um teatro “de mercado”, que neste momento advogam a Lei Geral do Teatro. São artistas e produtores que nos últimos anos foram, bem ou mal, amparados mais generosamente pela política de incentivo via renúncia fiscal, e que sugerem agora a desburocratização do acesso aos benefícios da Lei e o comprometimento real, mínimo que seja, do empresário, até aqui o verdadeiro gestor dos recursos para a cultura.
A questão é que a Lei Rouanet, inspirada no mecenato, nem de longe, e nem mesmo agora, coloca o empresário na condição que se anuncia. O mecenas, como sabemos, acaba sendo o próprio Estado que, entretanto, não assume a função de fazer as mediações necessárias. Delegada a tarefa inteira ao mercado, às suas escolhas e às suas dinâmicas, nestes anos já aprendemos o bastante, e mansamente, que no Brasil o dinheiro público é correlato de cultura privada.
E com isso naturaliza-se mais uma forma de exclusão. Cada vez que as contradições são expostas aponta-se com mais clareza a parcialidade e a injustiça operadas através da Lei.
Entretanto, muitos grupos e companhias de todo o País, que foram escassamente subvencionados, se organizaram nos últimos anos e conseguiram pautar a discussão a partir de outros modelos de gestão, que incluem não só recursos definidos em Lei, mas parâmetros mais democráticos de escolha dos projetos e a previsão de retorno do investimento em favor da população. A experiência da Lei de Fomento ao Teatro, de São Paulo, inventa um paradigma que, a despeito de atender apenas a uma parte dos artistas - aqueles dedicados ao trabalho continuado - é exemplar no capítulo que mais
interessa: o do gerenciamento do dinheiro público em benefício da cidade. A proposta da Lei de Fomento ao teatro brasileiro, que agora também se discute, segue estes parâmetros, que parecem mais justos, com o ganho de alcançar outras demandas: a pesquisa artística, mas também a produção e a circulação.
Quando essas duas posições se firmam, o primeiro problema que se coloca, então, é o de que não é possível tratar propósitos, meios e fins tão diferentes como se fossem iguais. É preciso tomar partido e criar
alternativas mais avançadas. Há que se criar instrumentos que dêem conta de alcançar a vocação política que o teatro carrega por natureza. Para além do fato de atender a estes criadores e não aqueles - o que, por si, já representa outro gritante descompasso - o incentivo via renúncia fiscal deveria ser questionado antes de tudo por não retornar publicamente o investimento público, e para o usufruto da cidade, não apenas de uma parte dos cidadãos. É preciso pensar a Lei como meio de fomento ao teatro, mas isso significa, antes mesmo do espetáculo e da discussão estética, facilitar o acesso da maioria. Do contrário pode-se maquiar o que já está posto desta ou daquela maneira. Será mais do mesmo.
Kil Abreu é jornalista, crítico e pesquisador do teatro. Foi diretor do Departamento de Teatro da Prefeitura de São Paulo na gestão de Marta Suplicy
“não se deixe enganar”
Abril 30, 2008 by marcia becharacom vocês, a ridícula, preconceituosa e equivocada reportagem do portal IG.COM, que ensina adolescentes brasileiros a identificar um travesti “nos primeiros cinco minutos”.
como se os garotões da classe média brasileira não adorassem uma rola, assim como o atacante ronaldo.
para ler a bobajada estúpida, é só clicar aqui.
algumas coisas
Abril 9, 2008 by marcia becharagente, por motivos engraçados (que não ouso contar aqui, haha), andei fuçando o site do museu do brooklin, em nova iorque, e achei uma espécie de linha do tempo das artistas feministas americanas, clica aqui pra ver…
e aqui, um blog da comunidade feminista do museu…
e ando conversando com a geisa, que organiza o ladyfest, e ela me indicou umas leituras sobre a questão queer (que eu adoro), textos da bourcier e da greer.
alguém tem textos delas em inglês ou português? a geisa só tem em francês, e eu não sou tão francófona assim, haha.
fazendo gênero
Abril 3, 2008 by marcia becharao seminário internacional é em agosto. (leia aqui)
variadas
Abril 3, 2008 by marcia bechara(acima: miss mina terrestre, em angola)
(transsexual female-to-male grávido) direitos reprodutivos!!!!!!
* ‘Chutaria a minha mulher, mas não os meus cachorros’, diz Ozzy Osbourne (leia aqui)
* Estudo aponta que 75% das mulheres com Aids acima dos 60 anos e atendidas no Emílio Ribas, em São Paulo, foram infectadas pelos maridos. (leia aqui)
* Elas não conseguem patrocínio nem de picolé, mas ganham TODAS. (leia aqui)
* Angola tem concurso de miss só para vítimas das minas terrestres (!!!!) (leia aqui)
e, diana, vc viu o caso do transsexual FTM grávido? achei tão sensacional… (leia aqui)
atuadoras no teatro fábrica
Março 31, 2008 by marcia becharadomingo, dia 06 de abril, tem “as atuadoras” no teatro fábrica, em são paulo, com o trabalho “mulher a vida inteira”, numa apresentação especial só para mulheres, artistas e pensadoras da cultura!
vai perder, chapa? não, né?
mais uma da série “a mulher na publicidade”
Março 27, 2008 by marcia becharapublicidade de revista da década de 70! ridííííículo.
e quando me falam que isso aí de cima já era, eu me lembro do taxista que me transportou há uns meses atrás e insistia que eu deveria ter “pelo menos um filho”, porque a mulher “foi feita para isso”.
eu dei muito escândalo.
gosto da idéia do seminário “a mulher na publicidade”. podíamos todas reunir o máximo de material possível, pesquisando.
e aí, garotas? feliz páscoa?
Março 23, 2008 by marcia bechara“porque o importante é escolher bem o presente” (da revista fatos & fotos - gente, de 1976).
1. não deixem de checar o comentário da diana no post anterior, falando sobre maria rita kehl e outras questões.
2. também não deixem de conferir aqui o blog do curso “mujeres-women-mulheres”, da querida ana rüsche.
o que pode uma mulher?
Março 19, 2008 by marcia becharaartigo de maria rita kehl. o único defeito é que começa citando um verso do “mulheres de atenas” chico buarque, aquele da delicadeza duvidosa.
trecho:
“Temos também Michele Bachelet no Chile e Angela Merkel na Alemanha. Benazir Bhuto sacudiu a ditadura no Paquistão. A Somali Ayaan Ali, refugiada na Holanda para escapar da lei islâmica, foi deputada pelo partido conservador de lá. As mulheres estão tomando o poder? O mundo vai virar de cabeça pra baixo? Não nos precipitemos. Mulheres no poder não constituem uma novidade assim tão espantosa. Pensem na rainha Vitória, em Catarina de Médicis e Isabel de Castela. No século XX tivemos Margareth Tatcher, Indira Ghandi, Golda Meir. O poder é um lugar que tolera excentricidades, desde que não alterem seu funcionamento e os compromissos que o sustentam”.
na íntegra, aqui.






